Médicos e enfermeiros da Estratégia Saúde da Família (ESF), vinculados à Subsecretaria de Atenção Primária em Saúde (APS), participaram, nesta quinta-feira (13), de uma capacitação sobre o fluxograma do programa Campos Sempre Rosa. A iniciativa é voltada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento das doenças das mamas. Realizado das 8h às 12h, no auditório da Universidade Salgado Filho (Universo), o encontro reuniu cerca de 20 profissionais. Uma nova etapa da capacitação será realizada na próxima quinta-feira (20), com a participação de outro grupo de profissionais.
Criado em 2024, o Campos Sempre Rosa oferece triagem realizada pela equipe de enfermagem e atendimento médico especializado em mastologia. As pacientes podem ser encaminhadas pelas unidades da rede básica, como as Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) e o Centro de Referência e Tratamento da Mulher (CRTM), ou por livre demanda, quando pacientes apresentam exames alterados. O programa também realiza biópsias de lesões palpáveis e, quando necessário, encaminha as pacientes para as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons), responsáveis pelo tratamento especializado.
Segundo a mastologista e coordenadora do Campos Sempre Rosa, Maria Nagime Barros Costa Yunes, a capacitação é importante para manter as equipes atualizadas e ampliar a capacidade de identificação precoce do câncer de mama. “A gente procura estar sempre capacitando a rede básica porque há profissionais novos que entram no serviço e precisam conhecer o funcionamento do fluxograma. Também buscamos ampliar o repertório em relação ao diagnóstico precoce do câncer de mama e ao que pode ser feito na comunidade, desde o exame físico até a consulta médica e de enfermagem. Toda a equipe precisa estar envolvida nesse processo, porque esses profissionais têm contato direto com a população e são, muitas vezes, o primeiro ponto de busca por atendimento”, explicou a mastologista.
Segundo Nagime, 10% dos casos estão atrelados a alterações genéticas— que passa de pai e mãe para os filhos—, já 90% são casos chamados de esporádicos, ou seja, são por múltiplas questões, não necessariamente a genética. “Sabemos que 30% dos cânceres são preveníveis através de adoção de hábitos saudáveis de saúde. Então, a atenção ao peso, atividade física regular, alimentação saudável, melhoria de condições de estresse e qualidade de vida estão atribuídos à prevenção do câncer de mama, assim como outras doenças”, explicou.
A médica da Estratégia Saúde da Família Déborah Lessa da Silva, que atua na UBSF de São Martinho, participou da capacitação e destacou a importância do conhecimento adquirido para o atendimento às pacientes.
“A capacitação de hoje foi de suma importância porque abordamos o fluxograma de rastreamento do câncer de mama, fundamental para auxiliar no diagnóstico precoce e orientar a usuária sobre qual serviço procurar. Dessa forma, conseguimos realizar o diagnóstico e o tratamento precocemente, aumentando as chances de cura”, afirmou.
Para a diretora das Linhas de Cuidados da APS, Ana Beatriz Mayerhofer, a Atenção Primária exerce papel fundamental como porta de entrada do usuário no SUS e na organização da rede de atendimento.
“Ao estabelecermos essa integração entre o nível especializado e a APS, por meio de iniciativas como o Campos Sempre Rosa, nosso objetivo é garantir a detecção precoce e dar maior agilidade ao atendimento. Durante as consultas médicas e de enfermagem, é possível identificar fatores de risco, sejam genéticos ou de outra natureza”, destacou.
Ana Beatriz também ressaltou a importância de considerar as características de cada território. “Abrangemos áreas geograficamente diversas, incluindo comunidades quilombolas, populações ribeirinhas e regiões centrais. Cada grupo possui históricos e exposições diferentes. Ao compreender essa realidade, a APS consegue oferecer uma assistência mais integral e assertiva”, afirmou.
Outro ponto destacado foi o papel do Agente Comunitário de Saúde na busca ativa de mulheres que não procuram as unidades básicas para realizar o rastreamento mamográfico ou consultas ginecológicas.
“Com o trabalho integrado da equipe de saúde da família na prevenção e promoção da saúde, conseguimos reduzir filas e evitar a sobrecarga desnecessária da atenção de média e alta complexidade. Como abordado na capacitação, casos classificados como BI-RADS 1 e 2 podem ser acompanhados diretamente na unidade básica. Nem toda alteração mamária exige encaminhamento para um especialista, já que as equipes de saúde da família estão aptas a realizar esse acompanhamento”, explicou a diretora, acrescentando que o fortalecimento da atuação da APS contribui para a otimização dos recursos e para uma assistência mais eficiente à população.
Na próxima quinta-feira (20), será realizada uma nova etapa da capacitação, destinada a outro grupo de médicos e enfermeiros da Estratégia Saúde da Família.





