O Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos para transplantes, reforça também o trabalho realizado diariamente pelas equipes do Hospital Ferreira Machado (HFM). Na unidade, a Equipe Hospitalar de Doação de Órgãos para Transplantes (e-DOT), em conjunto com as equipes assistenciais, atua na identificação de possíveis doadores, no acolhimento das famílias e em todas as etapas que envolvem o processo de doação.
Até o dia 14 de setembro deste ano, o HFM registrou oito autorizações para doação, que resultaram na captação de 31 órgãos e tecidos. Foram 14 rins, seis fígados, oito córneas, além de ossos e tendões e três corações. Os números demonstram o impacto que uma única decisão pode ter na vida de várias pessoas que aguardam por um transplante.
A importância da doação também pode ser observada pelos números da lista de espera. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), 49.540 pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão no Brasil, sendo 45.983 à espera de um rim. No Estado do Rio de Janeiro, são 8.341 pessoas na lista de espera por órgãos sólidos e tecidos, sendo 2.502 aguardando por um rim. Em 2026, o rim também foi o órgão mais transplantado no estado, com 365 procedimentos realizados. Já em relação às córneas, 37.751 pessoas aguardam pelo transplante no Brasil e 5.640 no Rio de Janeiro, onde foram realizados 449 transplantes de córnea neste ano.
“Aqui no Hospital Ferreira Machado, nós, da equipe hospitalar de doação de órgãos para transplante, trabalhamos junto com a equipe assistencial, seja do CTI ou do setor de emergência. Quando existe a possibilidade do diagnóstico de morte encefálica de um paciente, nós abordamos a família e comunicamos de forma muito acolhedora, clara e transparente que o ente querido tem esse diagnóstico. A partir daí, apresentamos o direito garantido por lei à doação de órgãos”, explicou a médica responsável pela e-DOT do HFM, Patrícia Rangel.
Segundo a médica, a autorização para a doação cabe exclusivamente à família. Documentos de identidade que indiquem a intenção de uma pessoa de ser doadora não possuem validade jurídica para autorizar a retirada de órgãos no Brasil. Por isso, a orientação é que o desejo seja compartilhado ainda em vida com os familiares.
“É a família que tem o direito de autorizar a doação. Documentos de identidade com essa expressão de ser um doador de órgãos não têm validade jurídica aqui no Brasil. Por isso, nós sempre incentivamos que as pessoas conversem com suas famílias e com seus parentes mais próximos sobre o desejo de ser um doador de órgãos”, destacou a médica Patrícia.
Ainda de acordo com a profissional, o processo é conduzido com orientação e acolhimento aos familiares, que recebem informações sobre todas as etapas relacionadas ao diagnóstico de morte encefálica e à possível doação. “A família que recebe esse diagnóstico é preparada, acolhida e informada sobre todas as etapas do diagnóstico da morte encefálica. E a mensagem que fica para todos é: seja um doador de órgãos você também e converse com sua família”, afirmou.
Oito captações em 2026
A captação mais recente realizada no HFM ocorreu no dia 30 de agosto, quando a unidade chegou à oitava captação de órgãos de 2026. O procedimento foi conduzido pela equipe do NF Transplantes em conjunto com a equipe da Central Estadual de Transplante RJ.
A doadora era uma mulher de 59 anos, moradora de Travessão de Campos, que teve morte encefálica após sofrer um Acidente Vascular Encefálico (AVE). Com a autorização dos familiares, irmãos da paciente, foram captados o fígado e os dois rins. Os órgãos foram destinados a pacientes que aguardavam por um transplante na fila única nacional.
Em todo o ano de 2025, o HFM registrou 10 captações, que resultaram na retirada de 33 órgãos e tecidos: 18 rins, sete fígados, seis córneas e dois pulmões.
Comunicação e acolhimento
Como parte das ações do Setembro Verde, o HFM realizará nesta sexta-feira (18) um encontro voltado à equipe multidisciplinar da unidade. Com o tema “O Fio da Empatia – Comunicação de Notícias Difíceis: Estratégias, Protocolos e Acolhimento Humano”, a atividade será realizada às 11h, no Centro de Estudos do HFM.
Promovido pela e-DOT do Hospital Ferreira Machado, o encontro busca abordar estratégias para a comunicação de notícias difíceis e o acolhimento humanizado das famílias durante um dos momentos mais delicados do processo de doação de órgãos e tecidos para transplante.
Por Isabella Corrêa / Foto: César Ferreira





