O filme “Guardiões da Memória” produzido pelos alunos da Escola Municipal Guiomar Ramos Paes, da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), foi apresentado no Vídeo Fórum, do Programa Nova Geração, durante a edição do Festival do Rio 2026 nessa quarta-feira (7). O evento teve início no dia 1º e prossegue até domingo, 11 de outubro, em várias salas de cinema no Rio de Janeiro.
As histórias, memórias e experiências de crianças e adolescentes do assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes, ganharam as telas de um dos mais importantes festivais de cinema da América Latina e uma das principais vitrines do cinema brasileiro.
O Programa Nova Geração é um segmento infantojuvenil do Festival do Rio, que combina exibição cinematográfica, educação e debate, voltado especificamente para trabalhos audiovisuais realizados por crianças e adolescentes.
Felicia Krumholz, curadora e coordenadora Geral do Programa Nova Geração, explicou que o evento não propõe premiação, pois o mais importante é o debate e a escuta aos jovens realizadores. Em cada uma das sessões, após a exibição dos filmes, aconteceu um debate onde todos os presentes apresentaram e conversaram sobre seus trabalhos, escolhas criativas, dificuldades e processos de produção.
“A proposta coloca os estudantes como protagonistas da criação audiovisual, enquanto professores e educadores atuam como orientadores. Na edição de 2026, o Vídeo Fórum recebeu 99 inscrições de curtas de até 10 minutos, realizados por crianças e jovens vinculados a instituições de ensino ou projetos educativos. Os selecionados vêm de várias regiões do Brasil e também de outros países”, explicou.
Ela afirmou que o Vídeo Fórum não funciona simplesmente como uma sessão infantil dentro de um festival. A ideia é criar um espaço em que os jovens experimentem o lugar de realizadores de cinema e absorvam informações e experiências que vão somar à sua formação.
“O próprio Festival destaca três dimensões do projeto: produção, exibição e reflexão O jovem tem a experiência de ver sua obra na tela grande, apresentá-la ao público e discutir seu processo criativo. Isso contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e de uma cultura cinematográfica plural”, declarou.
Obra
A produção do filme aconteceu por meio do projeto Adolescer com o Cinema, por meio da Gerência de Produção de Conteúdos Educacionais Digitais e da Coordenação de Serviço Social, desenvolvido há três anos em escolas da zona rural de Campos dos Goytacazes. O projeto já resultou na produção de 13 obras audiovisuais entre curtas, médias e longas-metragens.
Ao longo desse período, estudantes passaram a atuar em diferentes etapas da produção cinematográfica, pesquisando temas de interesse coletivo, registrando histórias locais e transformando suas experiências em narrativas para o cinema.
Para Carolina de Cássia, assistente social da Seduct, cineasta e coordenadora do projeto, a conquista coloca em evidência o trabalho desenvolvido na rede municipal de ensino.
“A participação dos estudantes foi emocionante. Além de ter o filme exibido, as crianças contaram como foi o processo de fazer o filme e o mais significativo, se reconhecendo como Sem Terrinha. Foi fundamental para os estudantes reconhecerem a importância de assumirem a narrativa e o protagonismo de sua história, fortalecendo uma consciência crítica, de raça e classe”, destacou Carolina.
Depoimentos
Editor do filme, João Marvilla contribuiu diretamente para que o filme saísse do papel. “Acho muito importante fazer esse projeto sair do papel. Eu que sou da área do audiovisual e trabalho com a educação no meu cotidiano fico muito realizado em poder ver cinema e edução caminhando lado a lado. Isso é muito importante não só para os alunos como para a cidade de Campos como um todo. Muitos talentos do cinema do teatro e da fotografia estão escondidos nos jovens da rede, então é muito importante poder fazer que eles enxerguem esses artistas em si mesmos e sigam seus sonhos sabendo que são capazes de chagar ainda mais longe”, afirmou.
Mãe do aluno Nikollas Asafe Araujo, Amanda Asafe da Conceição falou sobre a experiência. “Queria agradecer primeiramente a Deus porque sem Ele não conseguimos nada. Depois aos organizadores. Que viagem incrível, que organização, que sintonia em um só propósito de fazer acontecer. Que filme lindo e que história linda! Obrigada, Carolina, pela dedicação, pela coragem de não desistir, por ser tão profissional, por exercer com essência seu trabalho . E queria agradecer a todos os envolvidos, os bastidores que fizeram acontecer. Obrigada de coração. Foi lindo. Eu amei”, comentou.
A estudante Manuelly Vitória de Matos demonstrou sua gratidão pela oportunidade. “Agradeço pelo nosso filme ter sido selecionado. Eu aprendi muita coisa com eles, e acho que eles também aprenderam comigo, pois teve gente que não sabia o que era quilombo e nós explicamos. Gostei também porque todo mundo ganhou medalha e se divertiu. O prêmio maior foi todo mundo ter sido selecionado para o festival”, disse.
Por: Kamilla Uhl / Foto: João Marvilla – Divulgação








