PAAQ leva ação antirracista e de promoção da saúde para alunos da E.M Carlos Chagas no Assentamento Zumbi dos Palmares 2

O Programa de Assistência aos Assentados, Quilombolas e Comunidades Tradicionais (PAAQ), da Secretaria Municipal de Saúde, realizou, na última semana, uma ação na Escola Municipal Carlos Chagas, localizada na Estrada Brejo Grande, no distrito de Travessão, no Assentamento Zumbi dos Palmares 2. A atividade contou com o apoio da Agenda Antirracista, projeto de extensão do curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) Campos, e promoveu uma abordagem ampliada sobre saúde, identidade, pertencimento e perspectivas de futuro entre os estudantes.

A iniciativa surgiu a partir da atuação do PAAQ no território e da percepção de demandas que ultrapassam a assistência em saúde. Durante uma das ações realizadas na comunidade, a equipe identificou, a partir do diálogo com os estudantes, questões relacionadas à falta de perspectiva de futuro, pertencimento e representatividade, especialmente entre os alunos negros.

Coordenadora do PAAQ, Esthefany Francisco explicou que a experiência mostrou a importância de compreender a saúde de maneira integrada, considerando também os aspectos sociais e territoriais que influenciam a vida das crianças e adolescentes.

“É preciso pensar de forma integrada como as questões sociais e o território influenciam a vida desses alunos. Em uma conversa com os estudantes, percebi que alguns não se enxergavam em espaços como a universidade e não tinham uma perspectiva de futuro para além daquele território. A partir disso, pensamos em trazer a Agenda Antirracista para dentro da escola e ampliar essas possibilidades”, destacou Esthefany.

A ação integra o projeto “Para Não Ficar em Branco”, desenvolvido pela assistente social Mariana Matos, apoiadora técnica da Agenda Antirracista. A proposta é realizada em quatro encontros e busca trabalhar, de forma coletiva com os estudantes, temas relacionados à subjetividade da população negra, autoestima, sonhos, racismo, identidade e representatividade.

“Uma das propostas do primeiro encontro foi a produção de autorretratos, acompanhada da apresentação de imagens de pessoas negras para estimular a reflexão sobre identificação, representatividade e reconhecimento. Ao longo das ações vamos abordar temas com intuito de ampliar as perspectivas para que eles consigam se identificar, se reconhecer e enfrentar as barreiras raciais que possam surgir. A ideia é fortalecer, de maneira coletiva, a identidade étnico-racial”, explicou Mariana.

Para a professora Juliana Lobo, do curso de Serviço Social da UFF Campos e coordenadora da Agenda Antirracista, a atividade representa uma oportunidade de discutir com os estudantes o lugar da população negra na sociedade e fortalecer o debate dentro do ambiente escolar.

“Estamos realizando uma atividade inicialmente com os alunos do oitavo ano. A proposta é pensar, junto com as crianças e adolescentes, o lugar da população negra na sociedade e promover uma reflexão sobre identidade, representatividade e possibilidades”, afirmou.

Os próximos encontros vão aprofundar as discussões. Entre as atividades previstas estão a construção de um mapa dos sonhos, reflexões sobre representatividade negra e um momento de diálogo com pessoas negras que atuam em diferentes áreas, apresentadas aos estudantes como referências e possibilidades de trajetória profissional e pessoal.

Por Ígor Azeredo

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