Alunos da Escola Municipal Branca Peçanha participaram de uma aula diferente na última semana. A unidade recebeu o professor do Instituto Federal Fluminense (IFF) campus Cambuci Vicente Martins Gomes para uma aula sobre compostagem e a instalação de um minhocário na escola. Ele também é professor no mestrado profissional em Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf).
Vicente é engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Produção Vegetal com área de concentração em Fitopatologia. A atividade integra o projeto “Do prato à Terra: a compostagem como estratégia de Educação Ambiental, gerenciamento de resíduos orgânicos e economia circular no Ensino Fundamental I”, desenvolvido com estudantes do 4º ano da escola, sob orientação da professora Luciana Almenara Azevedo, mestranda em Engenharia Ambiental pelo IFF-Macaé.
O projeto foi aprovado no âmbito do Programa Mais Ciência na Escola 2026, da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). De acordo com o gerente de Programas e Projetos, Guilherme Vasconcelos, a visita reforçou a importância do aproveitamento de resíduos, além de promover conhecimento prático sobre o cuidado com a terra.
“A prática realizada pelo professor Vicente é uma das atividades previstas pelo projeto “Padrinho da Ciência”, que fortalece a ponte entre instituições de Ensino Superior e os projetos aprovados no Programa Mais Ciência na Escola, visando aprofundar o conhecimento de professores e estudantes com práticas diferenciadas e inovadoras para as escolas”, explicou Guilherme.
Para Vicente, o Padrinho da Ciência é muito importante, pois aproxima os estudantes da ciência, da tecnologia, da inovação, tornando o aprendizado mais prático e significativo. Entre as principais contribuições do projeto, ele destacou o estímulo, a curiosidade científica, incentivando os alunos a fazerem perguntas, investigarem e buscarem soluções. Ele também desenvolve o pensamento crítico e criativo, ajudando o estudante a analisar os problemas do seu cotidiano.
“O estudante pode relacionar a teoria e prática, permitindo que o conhecimento aprendido em sala de aula seja aplicado através dos projetos. Também podemos destacar a valorização dos problemas do cotidiano da comunidade. Por exemplo, na demanda de hoje, o projeto tratava da destinação correta dos resíduos produzidos pela escola. A proposta foi fazer um trabalho de compostagem e vermicompostagem. As crianças ficaram bastante empolgadas. A gente pôde falar um pouquinho sobre as minhocas, que são anelídeos, características, condições que elas precisam para sobreviver; eles puderam participar, tocar, perguntar. Foi bastante interessante ver o quanto eles são interessados em aprender sobre algo novo. Além disso, o projeto contribui muito para melhorar a qualidade do ensino, tornando a escola um espaço de investigação científica. Isso é muito importante nos dias de hoje”, declarou Vicente.
O professor auxiliou e orientou os alunos sobre a implantação do sistema de compostagem e de vermicompostagem. “Mostrei que é importante a gente dar a destinação correta desses resíduos; dessa forma, a gente tem uma economia circular, produz um adubo que vai estar voltando para o próprio espaço da escola, auxiliando na produção das hortaliças e evitando contaminações do meio ambiente. Conversamos sobre os cuidados com as minhocas até a utilização desse composto para adubar as plantas, pois queremos também auxiliar na implantação da horta da escola, melhorar a dinâmica do espaço escolar, tornar um espaço mais atrativo, e que torne o aprendizado ainda mais significativo”, disse.
O projeto
A professora Luciana explicou que o projeto “Do prato à Terra” propõe implementar a compostagem como estratégia de Educação Ambiental, gerenciamento de resíduos orgânicos e promoção da economia circular no espaço escolar. A proposta e as ações estão articuladas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especificamente os ODS 4, 11 e 13, além de atender ao PNE, à Lei nº 15.388/2026, que estabelece, em seu objetivo 8, promover a educação ambiental e o enfrentamento das mudanças do clima em todos os estabelecimentos de ensino.
Ela informou que a matéria prima utilizada advém de resíduos orgânicos provenientes da produção da alimentação das crianças feita na própria escola, e acrescentou que a pesquisa parte de um problema real da escola: compreender como os resíduos orgânicos gerados na cozinha podem ser tratados de forma mais adequada, reduzindo o descarte convencional e promovendo práticas sustentáveis.
A proposta reconhece que a escola é um espaço privilegiado para a formação de valores, atitudes e comportamentos socioambientais, tornando o gerenciamento dos resíduos uma possibilidade de integrar conhecimento científico, cotidiano escolar e responsabilidade ambiental.
“Nesse processo, os alunos do 4º ano do EF assumem papel de protagonistas. Participam atuando efetivamente 10 alunos, com ações que acontecem por meio de rodas de conversas e oficinas, além de estarem envolvidos na prática da compostagem, na compreensão do composto, do ciclo dos nutrientes e dos princípios da economia circular. E eventualmente os outros 18 alunos também estão envolvidos nas atividades. A participação não se limita à aprendizagem teórica: os alunos acompanharão diferentes etapas do processo, desde a sensibilização e separação dos resíduos até o monitoramento da decomposição e a utilização do composto produzido”, comentou.
Os destaques, segundo ela, estão justamente em transformar o que seria descartado para o aterro sanitário em recursos e oportunidades educativas. “Mais do que uma técnica de tratamento de resíduos, “Do prato à Terra” propõe transformar um problema cotidiano em experiência científica, educativa e socioambiental, mostrando que a escola pode ser um espaço onde aprender, cuidar e regenerar fazem parte do mesmo ciclo”, finalizou.






