Reduzir o tempo entre o atendimento ao paciente e o início da investigação de doenças de notificação compulsória no âmbito municipal. Esse é o objetivo da Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SUBVS), que iniciou, nesta semana, reuniões do projeto-piloto do prontuário eletrônico junto às unidades de urgência e emergência da rede municipal de saúde. Inicialmente, o projeto está sendo implantado na Clínica da Criança, com a análise, em tempo real, das notificações de casos suspeitos e confirmados de dengue.
O projeto funcionará a partir do software geral de atendimento médico das unidades informatizadas. O sistema permitirá o acesso às informações de interesse e relevância para a vigilância. “Atualmente, estamos adaptando o preenchimento do prontuário com informações que auxiliam a vigilância, especialmente aquelas relacionadas aos agravos de notificação compulsória. Escolhemos a dengue para esse projeto-piloto na Clínica da Criança, pois teremos acesso, em tempo real, aos casos suspeitos e confirmados da doença. Com a expansão da digitalização para outras unidades, utilizaremos a experiência da Clínica da Criança para replicar o modelo. Essa abordagem otimizará o tempo, proporcionando uma notificação mais rápida”, explica o subsecretário da SUBVS, Rodrigo Carneiro.
Ainda de acordo com o subsecretário, a estratégia poderá ser estendida a todas as doenças de notificação compulsória, aumentando a sensibilidade da vigilância. “Não será mais necessário aguardar o preenchimento da ficha e o seu envio da unidade de atendimento para a vigilância, a fim de que seja feita a análise. As informações estarão disponíveis em tempo real, permitindo o acesso a dados como sinais e sintomas e hipótese diagnóstica, tudo de forma digital, o que é muito mais rápido. Além disso, não será mais necessário realizar visitas às unidades para fazer revisão de prontuários”, acrescentou Carneiro.
A dengue foi definida como foco inicial por se tratar de uma doença endêmica no município e com comportamento sazonal. A expectativa é que, com os resultados obtidos entre 30 e 60 dias a partir dos atendimentos realizados na Clínica da Criança, seja possível comparar os dados com as séries históricas. Caso a análise demonstre compatibilidade, o sistema será expandido para abranger outras doenças de notificação compulsória.
Cenário epidemiológico
Em relação à situação atual da dengue no município, o cenário é de relativa tranquilidade. A expectativa é que 2026 apresente comportamento semelhante ao de 2025, ano em que foram registrados 1.550 casos da doença, sendo um óbito. “Nas duas primeiras semanas deste ano, não foram observadas alterações significativas em comparação ao mesmo período do ano anterior. Portanto, é fundamental manter a vigilância, mas, a princípio, não se espera uma grande epidemia”, disse o subsecretário.
A vacina contra a dengue segue disponível para pessoas entre 10 e 14 anos, no entanto, a procura tem sido baixa, especialmente para a segunda dose. É importante que pais e responsáveis de crianças nessa faixa etária procurem as unidades básicas de saúde para garantir a vacinação.
Desde o ano passado, o atendimento a pacientes com suspeita ou diagnóstico de dengue, foi descentralizado para as Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) e demais unidades da rede, de acordo com a necessidade de cada caso.