O município de Campos deu mais um passo importante na assistência à saúde da população, oferecendo um serviço humanizado para climatério e menopausa. O tratamento, que utiliza hormônios isomoleculares, vem sendo ofertado no Centro de Referência e Tratamento à Mulher (CRTM) e é pioneiro em todo estado do Rio de Janeiro, pelo Sistema Único de Saúde. A ginecologista/obstétrica, Mariah Bárbara, responsável pela idealização do projeto, destaca que o tratamento é o mais avançado, com doses hormonais individualizadas conforme os sintomas e exames de cada paciente.
“Este é um modelo inovador no SUS, já que existe apenas em São Paulo, tornando Campos o primeiro município do Rio de Janeiro a implementá-lo. Já há pacientes em tratamento, e os relatos de melhora são emocionantes, evidenciando a importância da reposição hormonal. O formulário preenchido pelas pacientes ajuda a apresentar à Secretaria de Saúde os avanços do tratamento e a reduzir a necessidade de consultas a outros médicos, como psiquiatras, além de diminuir idas ao pronto-socorro”, apontou.
O tratamento oferecido às pacientes é baseado em hormônios isomoleculares, popularmente conhecidos como bioidênticos. Essa abordagem representa uma mudança significativa na resposta terapêutica e na segurança dos tratamentos da menopausa.
“Embora o termo ‘bioidêntico’ seja uma simplificação, pois nada é absolutamente idêntico ao corpo, a estrutura química desses hormônios se assemelha bastante à dos hormônios endógenos. Eles são prescritos individualmente, levando em consideração os sintomas e os resultados dos exames de cada paciente, permitindo a personalização das doses de estrogênio, progesterona e testosterona, quando necessário. Trata-se de uma prática médica inovadora, realizada por profissionais com expertise em hormonologia e conhecimento aprofundado nessa área, garantindo a administração segura e individualizada dos tratamentos”, informou.
MÉTODO INOVADOR – A especialista explica que, em relação à menopausa, os tratamentos hormonais tradicionais, administrados em forma de comprimidos, consistiam em uma reposição hormonal com estrogênio e progesterona combinados. Essa abordagem, embora eficaz, apresentava limitações na individualização das doses. Além disso, esses hormônios possuíam uma estrutura química distinta daquela dos hormônios naturalmente produzidos pelo organismo. Essa diferença, por sua vez, pode desencadear reações inflamatórias e hormonais no corpo.
“Atualmente, os hormônios isomoleculares são considerados seguros. As terapias não constituem mais um foco de grande preocupação, pois alcançamos avanços significativos. As prioridades atuais se concentram na promoção da longevidade e na ativação de outras partes da célula, como as mitocôndrias, tema que será amplamente discutido neste ano”, disse.
MENOPAUSA NÃO É O FIM – Mariah reforça que a menopausa é uma transição importante para o envelhecimento e não o fim da vida da mulher. A terapia de reposição hormonal pode promover a longevidade, prevenindo doenças como fraturas e Alzheimer.
“Muitas vezes, os sintomas emocionais chegam como uma avalanche sem pedir licença. E isso mexe com a família inteira. E assim, a menopausa vira um momento desafiador que pode ser solitário sem o devido acolhimento. No entanto, o caminho para a melhora existe, e nossas pacientes já vivenciam essa transformação, desfrutando de uma vida plena. A terapia não garantirá viver até os 120 anos, mas certamente melhora a qualidade de vida. Portanto, não devemos ter medo de iniciar a terapia, pois estamos cada vez mais seguros sobre suas vantagens. Enquanto minhas pacientes estiverem sob os meus cuidados, terão o melhor de mim”, finalizou.
A professora Erika Sousa, de 48 anos, espera melhorar sua qualidade de vida com o tratamento hormonal. “Trouxe os exames para dar início ao tratamento. Espero alcançar os resultados desejados, pois esta fase inicial é totalmente nova para nós. Muitas vezes, não somos devidamente ouvidas. Desejo melhorar, pois sou professora e trabalho com crianças diariamente. Necessito estar com a mente boa para exercer minha função”, disse a paciente.