Notícia no detalhe
Especialistas alertam perigo do descaso individual com a dengue
Integrante da equipe da Fiocruz que estuda o sorotipo 4 de dengue em Campos, sendo parte da pesquisa destinada a alcançar um medicamento que reduza os índices que infecções que agravam o quadro da doença, Cíntia Ferreira Marinho disse que ainda há muito caminho a ser trilhado para se chegar ao objetivo ou a uma vacina contra a dengue. A pesquisa realizada junto ao Centro de Referência da Dengue em Campos, no Mato Grosso do Sul e em alguns instituto do Rio de Janeiro analisam a reação dos hospedeiros ao vírus da dengue.
- Precisamos descobrir porque algumas pessoas são infectadas e não apresentam sintomas da dengue, ficam sem saber que tiveram a doença, enquanto em alguns pacientes a doença se manifesta de forma brande e em outros, grave, com alguns entrando em choque e morrendo. Para se ter uma ideia da gravidade da dengue e da importância da pesquisa, precisamos considerar que, até hoje, temos 4 sorotipos da dengue. Em 2002, tivemos epidemia com o tipo 2, que voltou a circular, de forma bem mais agressiva em 2007 2 2008, anos também de epidemia. Verificamos que nessas últimas epidemias, o sorotipo sofre mutações e há possibilidade de quem já teve a dengue 2 ter mais de duas vezes e com muito mais complicações - contou.
Diretor da Vigilância Epidemiológica, Charbell Kury lembrou que a dengue segue alguns ciclos. “Vemos hoje o sorotipo 4 atingindo basicamente a população adulta, mas a tendência é que, no próximo ciclo, esse sorotipo, já modificado e mais agressivo, atinja crianças e idosos”, alertou.
O infectologista Nélio Artiles também fez um alerta. “Nossa preocupação é com todas essas variantes e complicações da dengue, sabendo que ainda não temos medicamentos para inibir a progressão da infecção e nem vacina para prevenir da doença. No começo, qualquer síndrome infecciosa é muito parecida, o que pode levar a confundir a dengue com outras doenças. A dengue é uma endemia, ocorre em ciclos e sempre teremos a dengue, podendo haver períodos de epidemia da doença. Trabalhar a prevenção é extremamente complicado, porque não podemos ultrapassar os limites do direto do cidadão. Mas precisamos pensar em algum tipo de punição, na responsabilidade civil de quem se omite na prevenção, porque, às vezes, o desleixo de uma pessoa, que deixa surgir focos da dengue em sua casa ou terreno, pode iniciar uma epidemia. Não temos vacina para dengue e a única forma de acabar com a doença é a prevenção”, concluiu o especialista.
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