O Ministério da Educação divulgou na tarde da última terça-feira (4) o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017. Campos apresentou um resultado inferior ao de 2015, o que era esperado por especialistas devido ao fim da política de aprovação automática na rede. O Ideb é calculado a partir de duas bases: o resultado do Sistema de Avaliação de Educação Básica (Saeb), anteriormente conhecido como Prova Brasil, e o Índice de Aprovação do Município. Campos manteve a média do Saeb de 2015, tendo melhora em Português e ligeira queda em matemática. Entretanto, com o fim da política de aprovação automática, o índice deste quesito foi reduzido, o que fez com que a nota do Ideb caísse.
— Em um primeiro momento parece um resultado negativo, mas a decisão que tomamos foi pensada. O que fizemos foi uma ruptura com a política de aprovação automática, que maquiava os resultados, passando maciçamente de ano nossos alunos para obter uma nota mais alta e formando uma legião de estudantes que chegam ao final do ensino fundamental sem domínio mínimo da leitura, escrita e nem de operações básicas de matemática — explica Brand Arenari, secretário de Educação.
Entre as medidas adotadas pela secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Smece) para melhora nos índices a médio prazo estão as capacitações dos professores, projetos de incentivo à leitura, a criação da olimpíada municipal de matemática, além da maior autonomia do professor em sala de aula quanto à aprovação e reprovação dos estudantes, assim como um novo sistema de controle sobre a alfabetização.
— A partir do ano que vem aumentaremos a carga horária em português e matemática na rede municipal. Ao longo dos anos, esses tempos foram reduzidos. Hoje são quatro de cada, enquanto na rede particular são seis. Em Sobral (CE), que tem o maior Ideb do país são oito. Esses são alguns pontos que fazem parte do conjunto de medidas que estamos tomando — ressalta Brand.
Rafael Damasceno, subsecretário pedagógico da Smece, lembrou que os critérios do Saeb foram alterados para 2017 e quase dobrou o número alunos testados. “A nossa expectativa era que o resultado da prova também fosse inferior. Saltamos de 31 para 82 escolas avaliadas. Entretanto, mantivemos a média. Ou seja, conservamos a proficiência, mas reduzimos drasticamente os instrumentos que facilitavam a aprovação e isso fez com que nossa nota caísse. Nós queremos que nossos alunos passem de ano sim, mas com aprendizado verdadeiro”, conclui.
Campos ficou com média de 4,6 nas turmas de 5º ano do ensino fundamental, ocupando a 79º posição do Estado. Já nas turmas de 9º ano do ensino fundamental ficou com 3,5, ocupando a 76º posição no ranking.