O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) está orientando a população sobre os procedimentos corretos para o controle do Caramujo-gigante-africano (Achatina fulica), que começa a reaparecer com maior incidência em diversos bairros durante esse período do ano. A intenção é evitar que as pessoas tenham contato com o molusco, que pode causar doenças.
— Nos meses mais frios, os caramujos permanecem escondidos debaixo da terra. Quando fica mais quente e começa a chover, aumentando a umidade, eles ficam mais ativos, saindo para se alimentarem e se reproduzir — explica o médico veterinário do CCZ Flávio Soffiati, destacando ainda a importância de não se acumular lixo nos quintais, o que atrai os moluscos.
Segundo o veterinário, o caramujo africano foi introduzido ilegalmente no Brasil na década de 1980, como alternativa à criação de escargot (Helix sp) e hoje há infestações em quase todos os estados, devido a fugas ocasionais ou abandono das criações. Normalmente come folhas, frutas e legumes, mas pode se alimentar de lixo e fezes de roedores. É resistente à seca e ao frio e se prolifera na estação chuvosa.
— A forma de controle é a catação manual, usando luva de borracha, látex ou cobrindo as mãos com saco plástico. Eles podem ser colocados em salmoura (concentrado de água e sal), ou sal direto em sacos plásticos ou outros recipientes, nunca direto no solo. Podem ser quebrados com auxílio de um martelo, sem utilizar sal nesse caso — orienta Soffiati.
Uma vez quebrados, os moluscos devem ser acondicionados em dois sacos plásticos de lixo e colocados pra coleta. Podem ser incinerados se houver estrutura para isso. Se forem enterrados, utilizar cal para impermeabilizar a terra. Não devem ser descartados vivos no lixo ou em terrenos e também não devem ser consumidos ou usados como isca de pescaria.
— É preciso lavar bem frutas e legumes que tiveram contato com o caramujo, pois o muco pode transmitir doenças. A higienização dos alimentos pode ser feita com hipoclorito de sódio (água sanitária). Lixo, entulho e materiais inservíveis favorecem a permanência do caramujo no local. O ideal é manter quintais e terrenos limpos e sem entulhos. O uso de veneno é contraindicado por não ser específico. Outros animais e pessoas podem ingerir de forma acidental — explica ainda Soffiati.