O transplante de órgãos é um dos principais caminhos de transformação positiva na vida de quem enfrenta uma doença grave, como os renais crônicos. Felipe Gonçalves, 35 anos, e Fabiano Campos, 52 anos, entendem bem essa transformação. Eles contaram suas histórias de medo, período do tratamento da doença renal crônica e a superação após a cirurgia, durante palestra realizada na quinta-feira (24), no Hospital Geral de Guarus (HGG), antecipando o Dia Nacional da Doação de Órgãos, comemorado no domingo, dia 27 de setembro. O encontro foi marcado por um coffee break e a presença de funcionários do hospital.
Felipe falou sobre o que mudou na sua vida após o transplante. “Em 2016, eu estava comemorando dois meses de casado, quando descobri uma inflamação nos rins. Fui tratando, mas em 2020 passei a fazer hemodiálise, que é um tratamento muito difícil e contínuo. Tive muito medo e vontade de abandonar o tratamento, mas graças ao apoio da minha família, fui compreendendo a importância e decidi seguir firme”, disse ele, ressaltando que inicialmente não sentiu vontade de entrar na fila de espera pelo transplante, mas optou por fazê-lo.
Dois meses depois, segundo ele, um telefonema avisava que seu transplante seria feito no Rio de Janeiro, mas não foi possível porque teve uma complicação na sessão de hemodiálise e precisou passar por uma transfusão de sangue.
“Mais dois meses se passaram e surgiu um novo rim compatível e fiz o transplante em Niterói. Foi um sucesso e, desde então, não faço mais hemodiálise. Junto com o transplante, outra conquista foi o retorno da minha fertilidade. Graças a isso pude ter meu filho, que hoje está com um ano e dois meses e eu completo quatro anos de transplantado”, comemorou Felipe.
Fabiano Campos foi o segundo palestrante do dia. Em 2006, ele descobriu que tinha os rins policísticos. Fez tratamento por 16 anos e hemodiálise, até que, em outubro de 2024, foi contemplado com um rim de um doador falecido. O transplante foi feito no Rio de Janeiro.
“Eu me lembro que estava no supermercado com minha esposa, quando meu telefone tocava insistentemente e eu não atendia. Retornei a ligação e era a médica me dando a notícia de que havia um rim compatível comigo. Estava pronto para esse momento. Arrumei as malas e fui para o Rio sozinho, porque meu filho estava internado e minha esposa com ele no hospital. Deu tudo certo, graças a Deus. Todos que conhecem minha história falam da minha disciplina em manter toda a rotina sugerida pelos médicos, para que eu estivesse pronto, quando surgisse um rim. E assim aconteceu”, ressaltou Fabiano.
A assistente social do HGG, Ana Teresa de Sá, afirmou que o objetivo da palestra foi levar confiança para os pacientes. “É um dia para reforçar a esperança, porque sair da hemodiálise é possível com o sucesso do transplante renal. Muitos ficam desesperançosos com a doença e os nossos palestrantes trouxeram suas histórias de superação para mostrar que é possível ter a vida transformada”, afirmou Ana Teresa.
Já a diretora clínica do HGG, médica Luisa Barreto, lembrou da importância da conscientização pela doação de órgãos. “Esse final feliz só acontece quando famílias decidem doar os órgãos de seu ente querido que faleceu. Por isso é importante que, em vida, as pessoas comuniquem aos seus familiares o desejo de ser doador de órgãos, porque muitas vidas podem ser salvas”, reforçou Luisa.






