O Programa de Assistência aos Assentados, Quilombolas e Comunidades Tradicionais (PAAQ) realizou 2.498 atendimentos entre maio e agosto deste ano, segundo quadrimestre de 2026. As ações incluíram atendimentos médicos e odontológicos, vacinação, consultas de enfermagem, encaminhamentos, exames laboratoriais e solicitações de exames. No período, também foram aplicadas 577 doses de vacinas e dispensados 5.543 medicamentos.
Ao longo dos quatro meses, o programa realizou 29 ações em diferentes territórios de Campos, ampliando a presença da rede municipal de saúde junto às populações assentadas, quilombolas e comunidades tradicionais. As atividades contemplaram localidades como os quilombos de Cambucá, Lagoa Feia, Conceição do Imbé, Aleluia do Imbé, Batatal do Imbé, Custodópolis e Cambuca do Imbé; UBSFs Campelo e Cambaíba; área rural de Beira do Taí e adjacências; Terminal Pesqueiro; acampamentos 15 de Abril, Leonel Brizola 1, Saquarema e Flora; assentamentos Antônio de Farias, Josué de Castro e Zumbi dos Palmares 1 e 2; Cafuringa, Ilha Grande e Che Guevara e Martins Lage.
Para a coordenadora do PAAQ, Esthefany Francisco, o período foi marcado pela ampliação das parcerias e pelo fortalecimento da atuação integrada com outros setores da Secretaria de Saúde e instituições de ensino. Segundo ela, a estratégia permitiu levar mais atendimentos aos territórios e ampliar o acesso da população a serviços especializados.
“Avançamos também na presença nos territórios, conseguindo retornar às localidades mensalmente ou, no máximo, a cada dois meses, o que possibilita um acompanhamento mais contínuo”, explicou Esthefany.
Entre as novas frentes de trabalho está a parceria com o Programa Saúde na Escola (PSE) e o Departamento de Saúde Bucal, iniciada em maio. As ações passaram a ser realizadas mensalmente e têm como objetivo contemplar, gradativamente, todas as escolas localizadas nos territórios atendidos pelo PAAQ. A integração também possibilitou o encaminhamento de pacientes com maior agilidade para atendimento odontológico na rede municipal.
A Faculdade de Medicina de Campos (FMC) também passou a atuar em parceria com o programa. Uma das iniciativas é uma pesquisa voltada ao rastreamento do câncer de mama nos quilombos. Outra ação é o projeto “FMC nos Quilombos e Assentamentos”, desenvolvido pela professora e médica Andreya Moreira, com a participação de alunos do 3º período. Durante as atividades, os estudantes promovem palestras e apresentações teatrais com informações sobre prevenção e cuidados relacionados às parasitoses. “Além disso, começamos uma parceria com a Agenda Antirracista da UFF Campos, ampliando a articulação para levar informação e cuidado aos territórios”, destacou a coordenadora.
A vacinação também esteve entre as principais ações do período. Foram aplicadas 577 doses durante as atividades realizadas nas comunidades. Um dos exemplos foi a ação no território de Custodópolis, onde o programa identificou uma demanda relacionada à atualização da caderneta de vacinação durante uma atividade realizada em uma escola.
“Custodópolis foi um exemplo importante. É um território que já conta com UBS e outros equipamentos e, inicialmente, entendíamos que não seria necessário realizar uma ação específica ali. Quando chegamos, identificamos muitas pessoas com o cartão de vacina atrasado. A partir disso, conseguimos fazer uma ação dentro da escola, direcionada àquela população. Essa integração com as UBS tem sido muito importante. Se não houvesse essa parceria com a Atenção Primária, que coordena a rede e é a porta de entrada do sistema, não conseguiríamos acessar essas pessoas e manter essa quantidade de ações nos territórios”, afirmou.
Dentro desse processo, o PAAQ também iniciou uma estratégia voltada à saúde mental. A proposta envolve a realização de atividades nos territórios para fortalecer o conhecimento das equipes sobre a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), os fluxos de encaminhamento e os equipamentos disponíveis para o acompanhamento dos pacientes.
“A gerente de Linhas de Cuidado e Equidade da Atenção Primária, Letícia Marques, já participou de atividades em duas UBSs que atuam diretamente com o PAAQ. A iniciativa busca ampliar a capacidade das equipes para identificar demandas relacionadas à saúde mental e utilizar os diferentes pontos da rede no próprio território”, disse Esthefany.
O programa também estreitou a atuação com o matriciamento em saúde mental, a partir da solicitação dos próprios médicos que atuam nos territórios. A estratégia busca oferecer suporte às equipes para o manejo de demandas relacionadas à saúde mental, evitando que o cuidado fique restrito ao encaminhamento e fortalecendo o acompanhamento pela rede. “Os médicos passaram a solicitar essa assistência para conseguir atender as demandas psíquicas dentro do próprio território, fortalecendo o cuidado próximo da população”, completou a coordenadora.
Por: Igor Azeredo





