Profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) participaram, nessa terça-feira (15), de um encontro sobre boas práticas em saúde mental na UBSF Conceição do Imbé. A iniciativa, realizada em parceria com o Programa de Assistência aos Assentados, Quilombolas e Comunidades Tradicionais (PAAQ), teve como objetivo fortalecer a atuação das equipes de Saúde da Família no território e ampliar o conhecimento sobre as ferramentas e os serviços disponíveis na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O encontro marcou o início de uma série de atividades voltadas à troca de experiências e ao fortalecimento do cuidado em saúde mental nos territórios. A escolha da UBSF Conceição do Imbé para iniciar a programação também considera a característica da região, que concentra grande parte das comunidades quilombolas do município.
De acordo com a coordenadora do PAAQ, Esthefany Francisco, a proposta surgiu a partir da necessidade de oferecer às equipes mais ferramentas para lidar com as demandas de saúde mental presentes no cotidiano das comunidades.
“Hoje demos início aos encontros de boas práticas em saúde mental nos territórios, começando pela UBSF Conceição do Imbé, uma região que concentra grande parte dos quilombos do nosso município. A iniciativa surgiu justamente da necessidade de empoderar os profissionais das Estratégias de Saúde da Família e apresentar ferramentas e possibilidades dentro da rede de saúde mental”, explicou.
Para a gerente de Programas de Promoção, Prevenção e Equidade, Letícia Marques, o contato direto com os profissionais que atuam nos territórios é fundamental para fortalecer um cuidado em saúde mental mais próximo da realidade de cada comunidade.
“Estamos aqui hoje em um diálogo muito importante com os profissionais da ponta, que acompanham de perto as especificidades de cada usuário e de cada território. A proposta é construir uma conversa sobre boas práticas em saúde mental e atenção psicossocial, fortalecendo um cuidado que seja regionalizado, territorializado e articulado entre os diferentes pontos da rede.”
A atividade também contou com a participação da equipe da área de Promoção, Prevenção e Equidade, que destacou a importância da atuação integrada entre a atenção primária e os demais serviços da rede. Para Letícia, a estratégia busca ampliar as possibilidades de cuidado oferecidas pela Atenção Primária.
“Fortalecer a atuação desses profissionais e a articulação com a rede é essencial para construir um cuidado integral, próximo e conectado à realidade de cada território. A APS, por estar próxima da comunidade, tem um papel fundamental na escuta, no acolhimento e na identificação das necessidades de cuidado”, destacou.
A iniciativa também foi avaliada positivamente por representantes das comunidades quilombolas. Para Paulo Honorato, representante do quilombo ABC do Imbé e presidente da Associação ABC, o encontro contribuiu para aproximar os serviços de saúde das comunidades e ampliar o conhecimento sobre o atendimento disponível.
“Esse encontro foi de grande valia para nós, porque conseguimos trazer a saúde da atenção básica para as comunidades do ABC e de Conceição do Imbé. Vou levar esse aprendizado e essa devolutiva para a minha comunidade. A gente não consegue nada sozinho; é no coletivo que conseguimos avançar”, afirmou.
Representante do quilombo de Conceição do Imbé, Edson Rocha também destacou a importância das informações compartilhadas durante a atividade. Segundo ele, a roda de conversa permitiu conhecer melhor as possibilidades de cuidado e abriu espaço para que os moradores apresentassem as principais demandas das comunidades.
“Gostei muito do esclarecimento proporcionado por essa roda de conversa. Nós não tínhamos esse conhecimento e, hoje, graças à equipe do PAAQ, tivemos acesso a essas informações e também pudemos falar sobre os problemas que acontecem na nossa comunidade. Para nós, foi de grande valia para o nosso entendimento”, disse.
A proposta é que os encontros de boas práticas em saúde mental tenham continuidade em outros territórios, fortalecendo o diálogo entre as equipes da Atenção Primária, os serviços da Rede de Atenção Psicossocial e as comunidades. A estratégia busca ampliar o acesso, o acolhimento e a equidade no cuidado em saúde mental, considerando as características e necessidades de cada território.
Por Igor Azeredo / Fotos: Divulgação






