A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) levou às escolas quilombolas de Campos dos Goytacazes um programa que uniu informação e prática culinária para valorizar saberes locais e ajustar o cardápio escolar às tradições alimentares da comunidade. O Projeto Incentivo à Cultura Quilombola está sendo realizado ao longo do segundo semestre de 2025 e combinou palestras lúdicas, demonstrações de preparo de receitas típicas e, em seguida, a inclusão dessas preparações nas refeições servidas nas unidades envolvidas. A iniciativa teve como objetivo fortalecer a identidade cultural, promover hábitos alimentares mais saudáveis e movimentar a economia local a partir da agricultura familiar quilombola.
As atividades começaram com sessões educativas nas escolas, nas quais as equipes do Departamento de Nutrição Escolar apresentaram ingredientes, histórias e técnicas de preparo ligadas à culinária quilombola. O trabalho acontece em parceria com as empresas de merenda terceirizadas. Durante as ações houve degustação de pratos preparados no ambiente escolar e distribuição de materiais pedagógicos para as turmas mais jovens. Após as demonstrações, as preparações passaram a integrar o cardápio regular das escolas, ampliando as opções já existentes nas unidades quilombolas e aproximando alunos e famílias das tradições alimentares de sua comunidade.
O Projeto Incentivo à Cultura Quilombola foi implementado dentro de uma política de educação nutricional que existe desde 2022 e que, neste ciclo, priorizou as tradições quilombolas. Entre as receitas incorporadas estão curau de milho, bolo de casca de abóbora, bolo de mandioca, frango com quiabo e caldo de mandioca com frango, preparações que utilizam ingredientes locais como milho, mandioca e feijão e que dialogam diretamente com os saberes tradicionais. Suellen Baldino, diretora do Departamento de Nutrição Escolar da Seduct, avalia o resultado com entusiasmo e destaca a dimensão educativa do projeto. Segundo Suellen, “foi de grande valia, pois apesar de os alunos saberem da existência da comunidade quilombola, não conheciam a cultura e, com o projeto, puderam vivenciar de perto essa experiência”.
O projeto foi inserido em diversas unidades escolares que atendem as comunidades quilombolas no município. Em Conceição de Imbé, funcionam a EM Conceição do Imbé e CEM Conceição do Imbé. A comunidade de Aleluia é atendida pela EM Fazenda Aleluia, enquanto a comunidade de Imbé tem como referência a EM Fazenda Chalita. No Sossego, os estudantes são atendidos pela E.M. Raymundo Soares Filho, e na Lagoa Fea pela EM Maria Antônia Pessanha Trindade. A comunidade de Cambucá é atendida pela EM Salvador Benzi. Já em Custodópolis concentram-se várias unidades escolares vinculadas às comunidades quilombolas, entre elas a EM Lions I, a EM Profa. Eunícia Ferreira da Silva, o CEM João Batista Veiga, o CEM Zumbi dos Palmares e o CEM Grevi Siqueira.
A educação nutricional aplicada às unidades quilombolas, na avaliação da diretora, vai além da alimentação e atua na valorização cultural e na construção de pertencimento. “O projeto de educação nutricional quilombola nas unidades escolares de Campos dos Goytacazes tem sido uma experiência transformadora. Percebemos o quanto o conhecimento sobre alimentação saudável pode fortalecer a cultura, a identidade e a autonomia das comunidades quilombolas. Ver os estudantes se reconhecendo na própria história, valorizando os alimentos tradicionais e compreendendo o impacto das escolhas alimentares em sua saúde é inspirador. Esse projeto não apenas ensina sobre nutrição, ele promove cidadania, pertencimento e futuro”, afirmou Suellen Baldino.
A partir de novembro, as escolas passaram a receber produtos provenientes da agricultura familiar quilombola, o que reforça o circuito entre produtores locais e a merenda escolar. Entre as unidades que já recebem esses produtos estão a Creche Conceição do Imbé, a Escola Conceição do Imbé, a Escola Fazenda Aleluia, a Escola Salvador Benzi, a Escola Maria Antônia Pessanha Trindade e a Escola Raymundo Soares Filho. A presença de alimentos produzidos por agricultores quilombolas contribui para a diversidade do cardápio, para a redução de cadeias longas de suprimento e para a promoção de renda nas comunidades.