Em um campo onde tradições e lavouras se encontram, um projeto busca reforçar a soja como forte alternativa econômica para o Norte Fluminense. Trata-se do projeto “A cultura da soja como opção rentável na geração de produtos e desenvolvimento para a região Norte Fluminense”, que integra o programa Mais Ciência da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). O objetivo é avaliar diferentes variedades de soja e práticas de manejo que possam ampliar a renda e diversificar a produção local.
O projeto tem como foco tanto a produção de grãos quanto o cultivo de soja hortaliça, conhecida como edamame, e busca responder perguntas práticas sobre a adaptação das variedades às condições da região e às técnicas de plantio. Josimar Nogueira Batista, coordenador da iniciativa e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) – Campus Campos dos Goytacazes, explica que a meta não é apenas identificar os tipos de soja mais produtivos, mas também orientar os agricultores sobre como conduzir o cultivo de forma mais eficiente e viável economicamente. “Queremos oferecer informações objetivas sobre quais variedades se desenvolvem melhor aqui e quais práticas aumentam a rentabilidade, além de estimular a formação acadêmica e a divulgação científica”, afirmou.
A parte experimental começou com a preparação do solo em setembro de 2025 e a instalação de dois experimentos em outubro do mesmo ano. O primeiro avalia oito tipos de soja em áreas com irrigação e sem irrigação. O segundo analisa diferentes épocas de plantio voltadas para o edamame, destinado ao consumo humano. No campo, são realizados tratos culturais como adubação, aplicação de defensivos conforme recomendação técnica e monitoramento de pragas e doenças. O experimento com soja hortaliça segue manejo orgânico, com uso de fertilizantes apropriados e defensivos biológicos.
Na etapa atual do projeto, estão em andamento avaliações de crescimento, florescimento e altura, além do acompanhamento de pragas e doenças. Paralelamente, um levantamento realizado entre setembro e outubro de 2025 por meio de e-mail e grupos de WhatsApp ouviu 39 participantes no estado do Rio de Janeiro. A maioria declarou pouca familiaridade com a soja hortaliça, mas 84,6% demonstraram interesse em adotar o cultivo. Outros 89,7% apontaram a necessidade de acesso a insumos e orientação técnica, enquanto 87,2% indicaram interesse em capacitação.
O bolsista Lucas Fresen Brazil participa das atividades de campo desde o início do projeto. Ao longo de seis meses, acompanhou a regulagem de máquinas, cálculo de adubação, plantio, demarcação de parcelas e avaliações do desenvolvimento das plantas. Também atuou na aplicação de produtos biológicos na soja hortaliça e vem aprimorando conhecimentos sobre preparo de caldas, leitura de bulas e uso de equipamentos de proteção. De acordo com o coordenador, o estudante apresenta bom desempenho e tem avançado na organização de dados e na escrita científica.
As avaliações de produtividade começaram em fevereiro e continuam em março, devendo subsidiar recomendações práticas aos agricultores da região. A expectativa é indicar variedades mais adaptadas ao clima e ao solo locais, além de orientar sobre as melhores formas de cultivo. Segundo o coordenador, o projeto pretende fortalecer a produção regional ao unir pesquisa, formação acadêmica e aplicação prática.