Com foco no respeito e na construção de um atendimento mais inclusivo, o Hospital Ferreira Machado promoveu, nessa terça-feira (24), uma palestra sobre o acolhimento humanizado à população LGBTQIA+. A iniciativa reuniu profissionais da unidade para discutir práticas que vão além do cuidado clínico, colocando em pauta a escuta qualificada, o reconhecimento das identidades e o combate a qualquer forma de preconceito dentro do ambiente hospitalar.
A ação foi promovida pelo serviço social, em parceria com a equipe de psicologia da unidade. Durante o encontro, foram apresentadas práticas essenciais para garantir um atendimento mais acolhedor, respeitoso e livre de discriminação, como o uso do nome social, o respeito aos pronomes corretos e a importância de evitar suposições baseadas em padrões heteronormativos.
A chefe do Serviço Social, Marta Medeiros, destacou que a qualificação contínua das equipes é fundamental para assegurar um cuidado mais humanizado. “Falar sobre atendimento à população LGBTQIA+ é reafirmar nosso compromisso com o respeito, a ética e a dignidade. Queremos que cada usuário se sinta acolhido e seguro dentro da unidade, independentemente de sua identidade de gênero ou orientação sexual”, afirmou.
Já a chefe de Psicologia, Sheila Chagas, ressaltou a importância da sensibilização dos profissionais de saúde. “O atendimento humanizado começa na escuta. É essencial que os profissionais estejam atentos às especificidades dessa população, sem julgamentos, construindo um cuidado baseado no respeito e na empatia”, pontuou.
Representando o Centro de Cidadania LGBTI Norte Fluminense, a advogada Brunna Morisson apresentou o Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia e destacou a atuação do serviço na garantia de direitos. “O Centro atua há cerca de cinco anos em Campos dos Goytacazes, oferecendo acolhimento, orientação e encaminhamentos para a população LGBTI+ de toda a região Norte Fluminense, com exceção de Macaé, que é atendida pela Baixada Litorânea. Nosso trabalho vai desde o apoio jurídico até a requalificação civil, promovendo cidadania e dignidade”, explicou.
A assistente social Dhébora Rodrigues reforçou a importância da rede de proteção e dos canais de atendimento. “Recebemos demandas por encaminhamento, procura espontânea e também por meio do Disque Cidadania (0800 0234567), que funciona 24 horas, além de denúncias pelo Disque 100. Atuamos em conjunto com o Ministério Público e outros órgãos, buscando acolher não só o indivíduo, mas também sua família, promovendo orientação e sensibilização”, destacou.
Segundo ela, o Centro de Cidadania é vinculado à Secretaria Municipal de Assistência e Cidadania, mesmo integrando um programa estadual, o que fortalece a rede de apoio e amplia o alcance das políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+.
Durante a atividade, também foram distribuídos folders informativos aos participantes, com conteúdos sobre identidade de gênero e diversidade sexual, além de informações sobre o programa Rio Sem LGBTIfobia, incluindo contatos, canais de atendimento e os endereços dos Centros de Cidadania disponíveis na região.
A palestra também reforçou a necessidade de uma escuta ativa por parte dos profissionais de saúde, considerando as demandas específicas dessa população. Outro ponto destacado foi que a humanização deve envolver toda a equipe hospitalar, desde a recepção até o atendimento médico, garantindo um ambiente seguro, acolhedor e sigiloso para todos os usuários.
“Esse é um passo importante para consolidarmos uma cultura de cuidado mais humana e preparada para atender a todos”, finalizou o diretor clínico, Hugo Calomeni.