A promoção à saúde do trabalhador rural foi o tema central de um curso ministrado por técnicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest/Rio de Janeiro) para enfermeiros e Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de 27 Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) da Zona Rural de Campos. O encontro aconteceu das 9h às 17h desta segunda-feira (6), no auditório da Prefeitura de Campos.
Os palestrantes Pedro Coscarelli e Lise Barros Ferreira começaram apresentando os desafios à saúde do trabalhador rural. “A formação dos nossos profissionais é, sobretudo, voltada para a área urbana. E hoje é uma oportunidade de vocês aprofundarem os conhecimentos singulares da área rural, que é a região em que atuam, e nos darem o retorno sobre a observação pessoal e profissional de vocês nesta atuação para que possamos, de fato, promover a saúde do trabalhador rural”, explanou Pedro, que é médico e apoiador técnico do Cerest.
Ele também falou sobre os desafios da territorialidade que imprimem a distância entre as residências e necessitam que um número maior de profissionais atue no interior para conseguir cobrir toda a área. “Nós, profissionais, precisamos saber ouvir o morador e conhecer os detalhes daquela região. Numa próxima oportunidade, o curso será ministrado para os médicos”, falou.
Lise abordou, entre outras coisas, a utilização de agrotóxicos no Brasil. “Nosso país é o que mais usa esses produtos no mundo e, como o nome já diz, eles são tóxicos e refletem diretamente à saúde do nosso trabalhador, tanto o trabalhador rural, como sua família e o profissional de saúde que trabalha no interior diretamente com este público. É preciso um olhar de cuidado e prevenção. Por isso atuamos com outras esferas do poder como a Agricultura, por exemplo, para um entendimento mais amplo e definição de políticas públicas que promovam a saúde do nosso trabalhador rural. É um desafio”, falou.
O encontro vem sendo organizado desde o mês de janeiro deste ano pelo Programa de Atenção à Saúde do Trabalhador (Past) da Secretaria de Saúde de Campos. De acordo com a coordenadora do programa, Yasmin Costa, em 2025, dos 3.205 acidentes com trabalhadores em Campos, 114 envolveram profissionais rurais. “Além disso, duas mortes foram registradas. Fazemos este mapeamento na nossa rede de saúde e vemos a necessidade de ampliar a promoção à saúde deste público e hoje é um importante passo para isto”, explicou Yamisn.
A diretora de Linhas de Cuidados da Atenção Primária, Ana Beatriz Mayerhofer, acrescentou que o município trabalha em parceria com o Estado e com o Programa de Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA) do Ministério da Saúde. “Todos os olhares e conhecimentos são importantes para aumentarmos a proteção do nosso trabalhador rural identificando problemas e desenvolvendo ações. Nos próximos meses e anos queremos avaliar quadros melhores neste contexto”, projetou a diretora.
O evento contou com representantes da saúde de São João da Barra e de São Francisco de Itabapoana, maior produtor de abacaxi do Estado do Rio de Janeiro. “É um encontro regional porque temos hoje aqui técnicos da capital com formação específica para o cuidado com a saúde do trabalhador que tem desafios não só em Campos, como na nossa região”, destacou a coordenadora do Cerest/Norte Fluminese, Monike Mota.
A Agente Comunitária de Saúde, Cléssia Almeida, que trabalha na localidade de Baixa Grande participou do curso. “Acho importante este conhecimento. No meu caso, atendo com frequência trabalhadores da indústria ceramista e também produtores rurais que necessitam sim de mais cuidado e proteção”, disse.