A rede municipal de ensino de Campos dos Goytacazes conta hoje com 50 Salas de Recursos voltadas ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) em funcionamento nas escolas. Mantidas pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), essas salas atendem estudantes público-alvo da Educação Especial e têm papel complementar ao ensino regular, com apoio voltado às necessidades de cada aluno.
De acordo com a coordenadora da Educação Especial da Seduct, Rosangela Queiroz, o serviço acontece em horário diferente das aulas comuns e é conduzido por professor de Atendimento Educacional Especializado, chamado de Professor AEE. “A Sala de Recurso é um serviço complementar e suplementar à escolarização, ofertado no contraturno, para atender estudantes com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento, altas habilidades e também alunos com necessidades educacionais especiais constatadas em estudo de caso”, explicou.
Rosangela destaca que o trabalho começa a partir da identificação das barreiras que dificultam a aprendizagem. Com base no estudo de caso, o professor AEE define um planejamento individualizado, que orienta as estratégias mais adequadas para cada estudante. O objetivo é ampliar a participação dos alunos nas atividades escolares e favorecer uma aprendizagem mais autônoma e efetiva.
Nesse atendimento, o professor não repete o conteúdo da sala de aula regular. Em vez de reforçar apenas o que já foi ensinado, o professor AEE organiza recursos pedagógicos, adapta materiais e cria estratégias de acessibilidade para que o estudante consiga aprender com mais independência e aproveite melhor o que é trabalhado na escola, conforme especifica Rosângela.
A coordenadora também ressalta que a Seduct oferece apoio contínuo aos profissionais que atuam nessas salas. Reuniões, palestras e cursos integram a formação da equipe, com o objetivo de fortalecer práticas inclusivas e ampliar a qualidade do atendimento oferecido aos estudantes da rede.
Na Escola Municipal Sagrada Família, a professora Monyque Kely Ribeiro vê na Sala de Recursos um espaço essencial para a inclusão. “No meu dia a dia, percebo que esse ambiente vai muito além de um simples apoio pedagógico. É um lugar de acolhimento, escuta e desenvolvimento individualizado”, afirmou. Para ela, o atendimento permite observar cada aluno com mais atenção, respeitando o ritmo e as particularidades de cada um.
Monyque explica que as atividades são pensadas para estimular diferentes habilidades. Entre elas estão jogos pedagógicos, desafios lógicos, exercícios de alfabetização com materiais concretos, imagens e recursos visuais. Segundo a professora, também fazem parte da rotina tarefas que desenvolvem coordenação motora e habilidades sensoriais, como recorte, pintura, massa de modelar e jogos de encaixe.
Ela acrescenta que o uso de tecnologias assistivas e materiais adaptados amplia a participação dos estudantes nas atividades escolares. Para a professora, a Sala de Recursos tem impacto direto na trajetória dos alunos, porque ajuda a superar dificuldades, fortalece a confiança e valoriza cada avanço. “Mesmo que os passos sejam pequenos, eles fazem muita diferença na vida escolar e pessoal de cada estudante”, concluiu.
Janaína Pany, mãe de Benjamin Pany Barbosa, de 6 anos, destacou a importância do trabalho desenvolvido na Sala de Recursos da Escola Municipal Sagrada Família, onde o filho, que é uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), participa de atividades voltadas ao seu desenvolvimento. Segundo ela, o acolhimento recebido pela família e o atendimento ofertado no espaço têm feito diferença na rotina e no aprendizado da criança. “Desde que ele saiu da creche e foi para o Sagrada Família, nós fomos muito bem acolhidos na escola. Desde o primeiro dia até hoje, ele tem aulas na sala de recursos, e essa sala é de suma importância para as crianças atípicas”, afirmou.
Janaína disse ainda que Benjamin, que é autista não verbal, apresentou avanços significativos desde que passou a frequentar o espaço. “Está tudo adaptado para ele, voltado para o aprendizado dele. Ele teve um desenvolvimento absurdo com relação a ideias, brincadeiras e comunicação. Ele saiu daquela parte interior que estava ficando e está aprendendo a se comunicar, interagindo melhor com crianças, adultos e até com ele próprio”, relatou. Para a mãe, o trabalho realizado na Sala de Recursos é fundamental. “É um divisor de águas na vida das crianças”, completou.