O projeto “Inventários digitais com BIM: uma nova perspectiva para o gerenciamento patrimonial”, desenvolvido pelo programa Mais Ciência da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), propõe um novo modo de olhar para o patrimônio histórico de Campos dos Goytacazes. Coordenada por Thaissa da Silva Ferreira, professora do Instituto Federal Fluminense (IFF), a pesquisa aposta em ferramentas digitais para organizar informações sobre imóveis antigos e abrir caminho para uma gestão patrimonial mais precisa e acessível.
A iniciativa surgiu diante de uma realidade comum no centro da cidade. Segundo Thaissa, muitos imóveis com valor histórico permanecem vazios, sem documentação técnica suficiente e, em alguns casos, sem proteção formal. “Observamos que muitos imóveis com características históricas encontram-se vazios, sem documentação técnica adequada e, em alguns casos, sem proteção formal”, explica a coordenadora. “Foi diante desse cenário que passamos a investigar o uso da tecnologia BIM como ferramenta para documentação, mapeamento e organização das informações arquitetônicas e históricas desses imóveis”, acrescenta.

Em linguagem simples, o projeto busca transformar informações dispersas em um registro organizado e útil. A ideia é reunir dados arquitetônicos, históricos e documentais em um repositório digital que possa ser consultado pela população, por pesquisadores e por gestores públicos. Para Thaissa, esse tipo de ferramenta ajuda a aproximar conhecimento técnico da preservação cotidiana da memória urbana. “O principal objetivo do projeto é contribuir para a criação de um repositório digital acessível à população, reunindo informações arquitetônicas, históricas e documentais sobre edificações de valor patrimonial”, afirma.
A coordenadora destaca que a proposta não se limita ao levantamento dos imóveis. “O projeto pretende incentivar a preservação do patrimônio histórico, modernizar os processos de documentação e gestão patrimonial e utilizar o BIM como ferramenta de integração de dados”, pontua. Segundo ela, o material reunido também poderá auxiliar pesquisadores, gestores públicos e a própria sociedade no acesso às informações sobre imóveis históricos, além de contribuir para futuras ações de conservação.
Até agora, o trabalho já avançou em etapas consideradas essenciais. A equipe concluiu estudos sobre patrimônio histórico e tecnologias digitais, definiu os imóveis que serão analisados e selecionou os equipamentos usados na captura e no processamento das imagens. O levantamento realizado também permitiu identificar 104 imóveis vazios com características históricas na área central de Campos dos Goytacazes.
Parte dessas edificações já possui proteção de órgãos de preservação, enquanto outras ainda não contam com salvaguarda formal. Para Thaissa, esse recorte reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre a memória arquitetônica do município. “A pesquisa busca desenvolver metodologias inovadoras voltadas à preservação patrimonial por meio da tecnologia, organizando informações que podem contribuir com a gestão desses espaços”, destaca.
Neste momento, o projeto avança para as etapas de levantamento de campo, modelagem e processamento dos dados coletados. A expectativa é aprofundar a modelagem das edificações, integrar dados técnicos e históricos em ambiente digital e ampliar o banco de informações disponível ao público. “Os próximos passos incluem aprofundar a modelagem das edificações, integrar informações técnicas e históricas e disponibilizar os resultados em um repositório digital acessível”, explica a professora.
Thaissa ressalta ainda que o Mais Ciência desempenha um papel importante para a continuidade da pesquisa. “O programa incentiva a pesquisa, a inovação e a aproximação entre ciência e sociedade, além de fortalecer a formação acadêmica e profissional dos participantes”, avalia. “Projetos como este podem alcançar maior impacto social, promovendo a valorização da memória urbana e da identidade cultural local”, conclui.