O “Maio Vermelho”, campanha voltada para a conscientização e prevenção das hepatites virais, tem por finalidade reforçar as ações de vigilância e controle das doenças, associadas à cirrose hepática e ao câncer no fígado. Em Campos, as vacinas contra a hepatite A e B estão disponíveis em mais de 40 salas de vacinação, incluindo o Centro Municipal de Imunização e Testes de Triagem Neonatal, e fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde. Já para a hepatite C não existe vacina.
O infectologista e subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Carneiro, explica que as hepatites são inflamações do fígado, causadas principalmente por vírus (A, B, C, D e E). No Brasil, as hepatites virais A, B e C são as mais comuns. Os vírus B e C podem causar doença crônica, evoluindo para cirrose e câncer de fígado, que são causas significativas de internação e mortalidade no país. As formas de transmissão se dividem em: via oral e parental.
“No caso da hepatite A, a transmissão é do tipo fecal-oral, pois indivíduos infectados eliminam o vírus nas fezes. Estas podem contaminar, principalmente, fontes de água, que, por sua vez, ao serem utilizadas na lavagem de alimentos ou mesmo através do contato direto, podem infectar outras pessoas. Já as hepatites B e C têm transmissão parenteral, envolvendo sangue ou secreções. A hepatite B é transmitida, principalmente, por meio de relações sexuais, sendo uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) altamente contagiosa. A hepatite C, por sua vez, teve a transfusão de sangue como principal forma de transmissão no passado. Atualmente, a principal forma de transmissão é o uso de drogas injetáveis ou o que se denomina transmissão intradomiciliar, através do compartilhamento de objetos pessoais, como lâminas de barbear ou escovas de dente, que podem conter o vírus”, pontuou o médico.
Carneiro reforça que a principal forma de prevenção da hepatite A e B é a vacinação, com vacinas disponíveis para ambas. “A incidência de hepatite A tem diminuído, em parte devido à imunização iniciada pelo Ministério da Saúde em 2014, que inclui a vacinação infantil, e também ao progresso no saneamento básico. A hepatite B também possui vacina, administrada desde 1994 a todos os recém-nascidos no país, sendo essa a principal medida preventiva. Além disso, como a transmissão sexual é uma forma importante de contágio, o uso de preservativos é recomendado para diminuir o risco. Em relação à hepatite C, hoje a atenção se volta para a farmacovigilância, especialmente em hospitais e clínicas de hemodiálise, e para a orientação da população sobre a importância do uso de objetos individuais, não compartilháveis”, apontou.
SINTOMAS E TRATAMENTO
O infectologista ressalta que as hepatites, em especial as do tipo B e C, possuem tratamento medicamentoso altamente eficaz. Pacientes diagnosticados e com indicação de tratamento devem iniciá-lo, pois isso previne a progressão da doença para cirrose e carcinoma hepatocelular. No caso da hepatite A, por ser uma doença autolimitada que não evolui para a forma crônica, o tratamento é sintomático. Nesse caso, o indivíduo manifestará sintomas por um período de uma a três semanas, e, após o tratamento, a recuperação é completa.
“Os sintomas das hepatites variam conforme o nível de inflamação do fígado. Na fase aguda, quando presentes, podem incluir dor abdominal, náuseas, vômitos, febre baixa, prostração e icterícia (amarelamento da pele e olhos). É importante ressaltar que a maioria dos pacientes com hepatite aguda é assintomática ou apresenta poucos sintomas. A principal preocupação reside na cronificação da doença. Nas hepatites B e C, pessoas na forma crônica podem permanecer assintomáticas, exceto aquelas com doença hepática avançada. Daí a importância da prevenção e dos testes de rastreio, visando evitar o desenvolvimento da cirrose. Infelizmente, muitos pacientes ainda são diagnosticados devido a sintomas secundários da cirrose. Nesses casos, o tratamento medicamentoso pode não ser efetivo, e o transplante de fígado pode ser necessário”, informou.
No município de Campos, o Centro de Doenças Infecto-Parasitárias (CDIP) é a referência para o acompanhamento dos pacientes. No local, os munícipes recebem orientações, preservativos, realizam testes rápidos e contam com acompanhamento clínico por uma equipe multidisciplinar composta por médicos especialistas, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos e assistentes sociais, que oferecem suporte integral.
“O diagnóstico de hepatites virais é feito principalmente por teste rápido, amplamente disponível em hospitais e Unidades Básicas de Saúde. A maioria das equipes de saúde está capacitada para realizar o teste, confirmar o diagnóstico e encaminhar os pacientes, após a confirmação, ao CDIP para avaliação mais aprofundada. Apesar dos esforços, as hepatites virais continuam sendo um problema de saúde pública, com casos graves e óbitos, especialmente por hepatites B e C crônicas. A expectativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que os casos de hepatite C diminuam consideravelmente até 2030, mas a hepatite B persistirá. A principal recomendação à população é a vacinação, o uso de preservativos nas relações sexuais e a realização de testes periódicos, especialmente para indivíduos com múltiplos parceiros sexuais”, finalizou Rodrigo Carneiro.