O aumento no número de acidentes envolvendo bicicletas, bicicletas elétricas, scooters e motocicletas em Campos foi tema de uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (18), na Câmara Municipal. O encontro reuniu representantes de diversos órgãos e instituições para discutir medidas de conscientização, fiscalização e mobilidade urbana no município.
Participaram da sessão vereadores, representantes da Guarda Civil Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Secretaria de Mobilidade Urbana, Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL) e empresários do município.
Durante a audiência, gestores do Hospital Ferreira Machado apresentaram dados considerados preocupantes sobre o aumento no número de atendimentos relacionados a acidentes ciclísticos. Em janeiro deste ano, a unidade registrou 128 atendimentos. Em fevereiro foram 157, março contabilizou 239 casos e abril fechou com 200 atendimentos. Segundo o hospital, ainda não há uma separação específica entre acidentes com bicicletas convencionais e elétricas, mas o levantamento já está sendo desenvolvido pela unidade.
Outro dado que chamou atenção foi o número de óbitos registrados dentro do hospital entre janeiro e abril deste ano: 33 mortes relacionadas a acidentes de trânsito. O quantitativo não inclui as vítimas que morreram ainda nas vias públicas, sem chegar à unidade hospitalar.
De acordo com os dados apresentados na audiência, entre janeiro e abril de 2025 foram registrados 860 acidentes envolvendo motocicletas. No mesmo período de 2026, o número saltou para 1.634 casos. Já os acidentes com bicicletas, passaram de 324 registros nos quatro primeiros meses de 2025 para 724 casos no mesmo período deste ano.
O superintendente do HFM, Guilherme Ribeiro, destacou o impacto do aumento dos acidentes na estrutura da unidade hospitalar. “O Hospital Ferreira Machado conta com um novo pronto-socorro, o que ampliou a capacidade de atendimento. Mesmo assim, desde o início de março, o hospital vem operando acima da capacidade. Atualmente, temos 62 pacientes ortopédicos internados, sem considerar pacientes em pós-operatório e de outras especialidades. Mensalmente, cerca de 80 pacientes precisam ser transferidos para hospitais conveniados por conta de fraturas. Além disso, realizamos de 90 a 100 cirurgias de urgência por mês. Quero reconhecer e agradecer aos servidores do hospital, que seguem atuando com dedicação diante da sobrecarga”, afirmou.
O diretor do pronto-socorro do HFM, o médico ortopedista Fábio Macedo, ressaltou que o hospital tem enfrentado diariamente os reflexos da imprudência no trânsito e defendeu o debate permanente sobre o tema.
“Temos enfrentado uma sobrecarga muito grande com o aumento explícito desses acidentes. O fenômeno da bicicleta elétrica é recente e faz parte dessa realidade, mas as motocicletas ainda continuam sendo as principais responsáveis pelos atendimentos. A fiscalização precisa ser debatida. Quem dirige se depara diariamente com imprudências no trânsito, e nós, no hospital, lidamos diariamente com as consequências disso. Essa discussão é fundamental para evitar que a nossa estrutura de saúde fique ainda mais comprometida”, comentou.