Campos inicia, a partir desta segunda-feira (25), Levantamento Demográfico de Cães e Gatos, uma ação estratégica voltada ao planejamento e à execução de políticas públicas mais eficientes para o bem-estar animal e ao controle de doenças zoonóticas no município. Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio das subsecretarias de Vigilância em Saúde (SUBVS) e Atenção Primária à Saúde (APS), esse tipo de estudo nunca foi realizado anteriormente.
A pesquisa de campo por amostragem para estimar a população de cães e gatos, tanto os que vivem em domicílios (domiciliados), os que têm acesso parcial a domicílios (semidomiciliados), quanto os que vivem em situação de rua (errantes), sem tutores, será conduzida com a colaboração do Centro de Controle de Zoonoses. As estratégias para a coleta de dados foram apresentadas aos Agentes de Combate às Endemias (ACEs) e supervisores de campo, durante reunião na última quarta-feira (20).
“Essa estratégia é fundamental, pois, no conceito de saúde única, os animais e o meio ambiente desempenham um papel relevante na potencial transmissão de doenças para a população humana, as chamadas zoonoses. Existem diversos exemplos, como esporotricose, toxoplasmose e febre maculosa, de doenças que podem ter os animais, como cães e gatos, como intermediários entre o ambiente e o ser humano. Portanto, essa estratégia permitirá a formulação de ações para áreas de maior risco de contato entre cães, gatos e humanos”, explica o subsecretário da SUBVS e coordenador local Centro de Estudos, Pesquisas e Ambiente em Zoonoses (Cepaz) Professor José Rodrigues Coura, o infectologista Rodrigo Carneiro.
Segundo o especialista, as informações desse levantamento também serão cruzadas com os dados de notificações de zoonoses da Subsecretaria de Vigilância e Saúde, com o objetivo de formular estratégias de intervenção localizadas para reduzir o risco de transmissão dessas doenças.
“Uma preocupação central é a prevenção de zoonoses, doenças transmitidas de animais para humanos. Para isso, é fundamental adotar medidas de precaução, e o levantamento demográfico desempenhará um papel crucial nesse esforço. Nossa cidade, com aproximadamente 500 mil habitantes, será uma das primeiras a realizar um levantamento demográfico completo para diagnosticar a população de cães e gatos. Com base nesses dados, poderemos desenvolver e implementar diversos programas voltados para a saúde animal em nossa cidade”, completou o diretor do CCZ e Vigilância Ambiental, Carlos Morales.
Ainda sobre o bem-estar animal, Carlos Morales destaca que o município já conta com feiras de adoção, castração, a Unidade Básica de Saúde Animal (UBS Pet) e o apoio de veterinários para o tratamento dos animais, mas o levantamento subsidiará o planejamento e a implementação de programas específicos, com foco na proteção e saúde desses animais, especialmente os que se encontram em situação de vulnerabilidade, como os cães errantes, vítimas de abandono e maus-tratos.
“Além disso, o levantamento permitirá determinar o número total de animais em nossa cidade, permitindo nortear todas as ações do poder público e elencarmos programas mais eficientes”, salientou Morales.
A pesquisa será desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) - Centro de Estudos, Pesquisas e Ambiente em Zoonoses (Cepaz) Professor José Rodrigues Coura, de forma que o município contribua com estudos acadêmicos ainda pouco frequentes na literatura nacional e internacional sobre essa temática. Pela Uenf, participam da iniciativa os pesquisadores Adriana Jardim de Almeida, médica veterinária (LCCA/CCTA/Uenf), Edwards Frazão Teixeira, médico veterinário (LBE/IOC/Fiocruz e LSA/CCTA/Uenf), Josias Alves Machado, biólogo (LCCA/CCTA/Uenf), e Wilder Hernando Ortiz Vega, também médico veterinário (LRMGA/CCTA/Uenf).