A Secretaria Municipal de Saúde promoveu, nesta segunda-feira (25), no auditório do Conselho Municipal de Saúde, um encontro voltado aos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para discutir os desafios das práticas antimanicomiais no município de Campos. O evento, intitulado “Diálogo com o Servidor”, reuniu trabalhadores da saúde mental para debater estratégias de fortalecimento da rede de cuidado, acolhimento em liberdade e integração entre os serviços.
A coordenadora de Saúde Mental do município, a psicóloga Gabriella Bandeira, destacou que o encontro marca um movimento de aproximação entre gestão e profissionais que atuam diretamente na rede. Segundo ela, o cenário da saúde mental em Campos acompanha uma realidade nacional marcada pelo aumento dos casos de ansiedade, depressão e outros transtornos psíquicos.
“A saúde mental já é muito desafiadora em todo o território brasileiro e, em Campos, temos enfrentado desafios básicos. A gestão vem promovendo movimentos para conectar a rede, tecer laços e fortalecer um cuidado acolhedor, integrativo e em liberdade, respeitando a singularidade de cada indivíduo”, afirmou.
Gabriella ressaltou ainda que o cuidado em saúde mental deve acontecer dentro do território onde o paciente vive, convive e constrói suas relações sociais. Ela também destacou a importância de desconstruir o preconceito relacionado às pessoas em sofrimento psíquico. “Hoje não temos mais as estruturas físicas dos hospitais psiquiátricos, mas ainda existem os manicômios mentais, que são construções sociais marcadas pelo medo e pela exclusão. Precisamos romper com essa lógica e compreender que essas pessoas precisam de cuidado e acolhimento, não de afastamento”, pontuou.
A enfermeira das Residências Terapêuticas, Melissa Carvalho, avaliou o encontro como essencial para ampliar o debate sobre o cuidado em saúde mental no território. “Foi uma reunião de muita importância. A gente precisa discutir o serviço no território e ampliar cada vez mais essa discussão, porque senão acabamos reproduzindo práticas manicomiais sem perceber. É importante entender o que é o nosso serviço e como ofertar isso da melhor forma dentro da rede. Esses encontros não podem ficar só aqui, precisamos ter mais reuniões como essa para fortalecer cada vez mais o cuidado em saúde mental”, destacou.
Gabriella Bandeira também enfatizou que uma das principais metas da atual gestão é estreitar o contato entre os diferentes setores da rede de saúde mental e assistência social. “Nosso principal objetivo hoje é fortalecer os vínculos entre gestão, profissionais e serviços, porque o cuidado em saúde mental só acontece de forma efetiva quando todos caminham juntos”, concluiu.
RAPS – Rede de Atenção Psicossocial
O município conta atualmente com diversos dispositivos de atendimento em saúde mental que integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), entre eles o Ambulatório Ampliado do Parque Imperial, CAPS Infantil, CAPS II, CAPS III Dr. Romeu Casarsa, CAPS III Dr. Makhol Moussalem e o CAPS AD Dr. Ari Viana – Álcool e Outras Drogas, que oferecem acompanhamento multiprofissional, oficinas terapêuticas e acolhimento em situações de crise. Os CAPS III funcionam 24 horas e contam com leitos de retaguarda para estabilização dos pacientes.
A rede também possui a Unidade de Acolhimento Infantojuvenil (UAI), destinada ao acolhimento transitório de adolescentes em situação de vulnerabilidade relacionada ao uso de drogas; cinco Residências Terapêuticas (RTs), voltadas a pessoas egressas de longos períodos de institucionalização psiquiátrica; o Serviço de Matriciamento, realizado em parceria com a Atenção Primária; o Serviço de Desinstitucionalização (Desins), responsável pelo fortalecimento do cuidado territorializado; além do CREFIPE, em Santo Eduardo, especializado na reabilitação de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista.