De um lado, olhares atentos e muita concentração e, do outro, tintas, cores e espátula que, através das mãos habilidosas do artista plástico Carlos Faria, vão se transformando em um cenário capaz de apontar um novo caminho para os jovens, assistidos pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps i) Dr. João Castelo Branco. A tela foi produzida, utilizando a técnica do impressionismo, durante a oficina de arte realizada na unidade, que atende crianças e jovens com diferentes transtornos. O Caps i está localizado na Rua José do Patrocínio, número 104, no Centro.
Segundo a assistente social Dirlei Rosa, a partir das oficinas pedagógicas, vários talentos para o desenho e artes plásticas foram descobertos. “Queremos fazê-los pensar em ampliar os horizontes. Muitas vezes, esses jovens ficam com os talentos adormecidos. O que nós queremos é despertá-los para esses talentos e mostrar que eles podem extravasar as emoções de outras formas”, explica a assistente social.
O artista plástico Carlos Faria realizou a oficina atendendo a um pedido da assistente social. No final, o cenário revelado surpreendeu os jovens que, no início, tentavam atentamente desvendar a imagem. Para ele, a iniciativa é fundamental para apontar novos caminhos para crianças e jovens. “A arte é um caminho muito bom para crianças, jovens e adultos. A arte, como o teatro, a música, a dança e as artes plásticas, tira jovens das drogas, da prostituição e de outros caminhos nocivos”, disse Faria, que participou do concurso Campos em Arte, em 2011, e ficou terceiro lugar com a obra “1910”.
Trabalho - Através do trabalho desenvolvido por uma equipe multiprofissional, jovens que fazem uso de substâncias psicoativas; com transtorno mental grave e moderado; vítimas de autolesão não suicida (automutilação); crianças e adolescentes com Transtorno Espectro Autista (TEA), entre outros, são assistidas na unidade. Os estagiários Rafaela Arenari e Lucas Guilherme, ambos de 23 anos, que cursam o último período de Psicologia na Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmam que a experiência que vêm adquirindo na unidade tem sido uma grande aprendizagem. “Minha monografia foi feita a partir da experiência que vivi aqui”, diz Rafaela.
Pensando em ampliar o campo de discussão, através de recursos cada vez mais atrativos aos jovens, o estagiário Lucas Guilherme está apostando no Cine Debate, um projeto que visa levar a temática dos adolescentes para o centro dos debates, de forma a integrá-los neste contexto. “Exibimos o filme “Bicho de 7 Cabeças e os comentários e dúvidas vão surgindo. Através do cinema, eles se encontram com a arte e, muitas vezes, com a própria história”, explica o estagiário.