A superintendência da Igualdade Racial fez ressoar vozes negras no Museu Histórico de Campos e na Praça do Santíssimo Salvador. Em referência ao Dia Nacional da Consciência Negra — celebrado em 20 de novembro— o evento intitulado “Igualdade Racial em Campos” foi realizado nesta terça-feira (14) e reuniu diversos integrantes da comunidade negra campista em um momento de “aquilombamento” e “festa”.
— Vivemos um momento difícil, mas chamamos este evento de festa. Sabemos que esta palavra incomoda algumas pessoas do movimento negro por não entenderem o que se tem a festejar. Nossos ancestrais, mesmo vivendo em senzalas, se reuniam para festejar. Em meio às lutas, eles faziam festas porque é preciso renovar o espírito para conseguir seguir em frente. Devemos festejar sim porque estamos vivos e temos a possibilidade de continuar a lutar — disse a superintendente da Igualdade Racial, Lúcia Talabi.
O evento começou pela manhã com Roda de Capoeira na Praça do Santíssimo Salvador. A “Feira Afro Brasileira – Artesanato e Culinária” contou com a presença de, entre outros expositores, “As Dandaras do ABC” — coletivo de mulheres quilombolas que resgatam suas raízes através da culinária e artesanato. Durante a tarde, no Museu Histórico, a mestra em Sociologia Política Jhen Almeida e a psicóloga Tamillys Lírio participaram de uma conversa sobre identidade cultural negra e o impacto do racismo na saúde mental.
— Sofremos com o racismo diariamente e começamos a perceber que não damos conta disso tudo. Isso começa a nos matar por dentro. Não aguentamos ser fortes o tempo todo, não queremos resistir o dia inteiro, nós queremos ser gente. O extermínio do povo negro não é só com assassinatos, é também através de nossa saúde mental. Esse momento é para fazer como nossos antepassados e aquilombar. Precisamos estar juntos e unidos para nos dar força — disse Tamillys Lírio.
O dia foi marcado também pelo Prêmio José do Patrocínio, que valorizou as iniciativas da sociedade civil em prol da igualdade. Foram homenageados o Coletivo Saravá, o EncresCampos, o Black e Cia e o Lar Fabiano de Cristo. As ações destes grupos foram consideradas de grande importância para fortalecer a representatividade do negro na sociedade campista.
— Campos é uma cidade que tem a maior parte da população formada por negros, mas onde está nossa cultura? Quais ruas têm nome de negros? Quantos vereadores negros temos na Câmara? Não contam nas escolas que os negros lutaram contra a escravidão, não nos falam de nossas raízes e ainda tratam nossa ocupação dos espaços públicos como ato criminoso. Então, como dizer para um jovem adolescente que ele deve gostar de ser negro? — questionou Jhen Almeida.
O evento “Igualdade Racial em Campos” contou também com Prêmio Imprensa, onde foi premiado o jornalista com 29 anos de carreira e integrante da equipe da Superintendência de Comunicação Edson Cordeiro. Também foram premiados o locutor e radialista Welington MHZ e o radialista e jornalista Cacau Borges. O dia ainda contou com o 1º Encontro de Alabês e Percussionistas de Campos (Percamp), desfile de moda “Preto em estilo” e Roda de Samba.