Sim, as mãos são capazes de operar milagres. Também são capazes de transformar vidas, trazer esperança, gerar autonomia, colocar comida na mesa de quem mais precisa. É assim com o artesanato, foco principal do trabalho de Amarilis Azevedo da Costa. Professora aposentada da rede municipal de ensino, ela resolveu se dedicar a um talento e paixão antigos: o crochê. Em Poço Gordo, onde mora com o marido, ela criou o grupo Crochetando Amizades, onde dá aulas a cerca de 30 mulheres da Baixada Campista — muitas delas em situação de vulnerabilidade social.
Graças à divulgação pelas redes sociais, networking com as colegas e participação em eventos, os trabalhos produzidos por elas se tornaram um sucesso de vendas — boa parte da produção, inclusive, é encomendada por uma grande loja de roupas do Rio de Janeiro. Peças produzidas em Poço Gordo já apareceram, inclusive, nos figurinos de uma novela. As crocheteiras, é claro, lucram com a atividade.
“Todo dinheiro extra que vem é muito bem-vindo. Tem gente que já sobrevive exclusivamente dessa renda”, afirma Amarilis, que é uma das participantes do Programa do Artesanato Campista, promovido pela Diretoria de Economia Solidária da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação.
Nascido em 2025, o programa tem como objetivo identificar quem são os artesãos e artesãs de Campos, em que segmento eles trabalham e quais são suas necessidades. Esse levantamento começou em junho do ano passado, com o Cadastro Municipal de Artesãos, que já conta com cerca de 760 profissionais cadastrados. A partir do levantamento de dados de cada um deles, a Prefeitura de Campos terá um diagnóstico preciso para traçar novas políticas públicas de fomento ao setor, incluindo capacitações, formalização, networking e participação em eventos.
O Programa do Artesanato Campista foi uma das iniciativas inscritas no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora 2025, que reconhecerá as melhores iniciativas do estado do Rio de Janeiro e do Brasil no apoio aos micro e pequenos negócios. O projeto campista concorre na categoria “Turismo e Identidade Cultural”. A premiação está prevista para o dia 14 de abril, em cerimônia na capital fluminense.
Distante mais de 300 quilômetros da Cidade Maravilhosa, Poço Gordo sente os impactos da iniciativa. Segundo Amarilis, o apoio do governo municipal veio em boa hora, sobretudo para que as artesãs do Crochetando Amizades participassem de eventos em outras cidades. “A gente não teria condições de participar, se não fosse o apoio da Prefeitura de Campos. É uma parceria que ajuda muito”, diz a crocheteira, afirmando que, depois de aderir ao Cadastro Municipal de Artesãos, viu sua renda aumentar em 50%. “É muito gratificante para nós”.
A ideia é continuar crescendo. Segundo o diretor de Economia Solidária, Pedro Barcelos, estima-se que Campos tenha cerca de 5 mil profissionais de artesanato e 20 mil de economia solidária — segmento que inclui gastronomia artesanal, agricultura familiar, agroecologia, pesca artesanal, catadores e sustentabilidade.
“Campos é uma cidade com forte tradição em artesanato e economia solidária, com produtos que remontam a séculos e ajudaram a moldar nossa identidade, aquilo que somos. São atividades que atravessam gerações, e que não podem se perder; daí a proposta de entender melhor quem são esses profissionais, uni-los numa grande corrente e fortalecer suas atividades, com reflexos diretos na geração de emprego e renda”, observa Pedro.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Marcelo Neves, é gratificante ver como o Programa do Artesanato Campista lançou luz sobre a atividade. “Ele confirma o que já imaginávamos, e vai ao encontro das orientações do prefeito Wladimir Garotinho, que vê nos micro e pequenos negócios uma importante mola propulsora do desenvolvimento do nosso município. Vamos continuar trabalhando para que este setor tenha cada vez mais o reconhecimento que merece”.