Não é só em momentos festivos que a música desperta alegria, nostalgia, emoção e outras sensações no ser humano. No Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Geral de Guarus (HGG), pacientes internados experimentam sentimentos próprios ao ouvir músicas como recurso terapêutico implementado pelo serviço de psicologia do hospital. Diariamente, as psicólogas Regina Rangel e Evelyn Rebouças percorrem os leitos e interagem com os pacientes, familiares e profissionais do setor, o que chamam de tríade de atuação.
Para estimular conexões cerebrais no paciente e gerar bem-estar, a música cumpre seu papel. “Começo com um diálogo com o paciente e quando ele diz que gosta de músicas e cita seu estilo favorito eu ofereço o recurso por meio do aparelho celular. Eles reagem cada um à sua maneira e é lindo ver as reações. A intenção é que eles se imaginem fora deste ambiente hospitalar e é assim que funciona”, destacou Regina.
O paciente Chrisóstomo Ayres Ferreira, de 83 anos, deu entrada no HGG no dia 7 de junho, passou por uma cirurgia abdominal delicada e foi transferido para o CTI no dia 15 de junho. Chegou a ser intubado e extubado. Totalmente consciente e se recuperando do tratamento, Crisóstomo escolheu músicas de Luiz Gonzaga e de Chitãozinho e Xororó para o atendimento com a psicóloga Regina.
“A música é a vida da pessoa. Pode crer nisso. Você fica distraído pensando em qualquer coisa e quando ouve uma música se alegra e pensa logo em coisas boas. Adoro música. Lembrei da minha infância ao ouvir Luiz Gonzaga, quando eu tinha cinco ou seis anos de idade. Eu me lembrei de quando meu tio veio do Rio de Janeiro e trouxe uma vitrola. Nunca pensei que eu ia ouvir música aqui na UTI, achei muito bom”, contou emocionado.
Além da música, as psicólogas colocam capítulos de novelas que marcaram a vida dos pacientes ou cenas de filmes, tudo alinhado com o paciente ou com o familiar. “Também fazemos desenhos, pinturas e enviamos para os familiares que estão em casa, fazemos videochamadas, tudo para estimular o paciente porque a saúde psíquica é altamente determinante para o prognóstico de sua saúde física. Conseguimos trabalhar até com pacientes que têm rebaixamento da consciência, pois sabemos que não somos só consciência, somos inconsciência também, e fazemos estímulos para cognição e outros sentidos humanos”, explicou Evelyn.
Para o médico do CTI, Cláudio Lança, além de estimular as áreas do cérebro, a terapia com músicas contribui para alívio da dor do paciente e sua recuperação total. “Quem está internado sofre muito estresse e a música contribui para uma recuperação mais rápida e possibilita maior chance dele sair da UTI porque ouvir música gera conforto, paz e alívio”, concluiu.
A diretora clínica do HGG, médica Luisa Barreto, acrescentou que o paciente assistido pela equipe multiprofissional no CTI, incluindo o recurso da música, o torna mais elegível a receber alta. “É como se este trabalho fosse gradativamente situando o paciente em sua totalidade enquanto indivíduo, não só na sua evolução clínica, mas emocional e de percepção, tornando-o apto a receber alta do CTI e chegar íntegro numa clínica médica, até receber alta para casa, por exemplo”, explicou Luisa.
O superintendente do HGG, Vitor Mussi, elogiou o trabalho da equipe multidisciplinar associado ao atendimento médico. “É levar humanização para quem está neste momento vulnerável de internação no CTI. Além do trabalho exímio das psicólogas, os pacientes são tratados com fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, enfermeiros e até dentistas, uma conquista do HGG que reflete diretamente no cuidado integral do paciente”, destacou Mussi.